Notamos em variações de ondas, discussões e opiniões sobre o limite da menoridade dos jovens infratores perante a lei. No fundo, a partir de qual idade alguém é consciente, e assim responsável, de si. De um dos lados, as classes média e alta preocupadas também com os seus filhos. Pois que, esses pais medianos e altos sabem o que tem em casa. Num outro dos lados, ouvimos as vozes de que se fez tem que pagar, não importando a idade. Vemos, neste discurso de culpa e acusação, raízes na Inquisição Medieval. Pensamos também às vezes, de que jogar menores infratores em cadeias fechadas com penalidades de adultos, vai se dar quando fizerem uma saída jurídica lacunar, que coloque em seguros e livramentos de grades os filhos dos ricos. Delimitando a partir das alturas de classes e tesouros, e da falta deles, as inocências e as culpas.

Para nós, a pergunta sempre será esta: em que modelo de sociedade são formados estes jovens infratores; e o que os faz assim, delinquentes sem saída. Pergunta que ao mesmo tempo ignorada, porta a ser respondida. Sabemos, a partir de Foucault*, que a ação do edifício jurídico ( modos de condenar ou absolver ), se dá muito pelo domínio de classe sobre classe. Porém e mesmo assim ainda, esconder ou deixar de pensar sobre o que dissemos aqui, é uma coisa só nossa de Brasil e de mais ninguém; nem de Deus.

E que numa divisão e circulação de riquezas tão mesquinhas como as nossas, as tragédias da justiça são muito mais criminosas.

Nota do autor: Michel Foucault, filósofo francês. Publicou entre muitos, Vigiar e Punir ( Nascimento da Prisão ).

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