Os dias não estavam; nem estavam para nós. A carceragem toda morta; as galerias e celas túmulos subterrâneos sombrios; a vida não palpitava. Nem as paredes respiravam mais. Tão ínfimas, nossas almas hibernavam por elas mesmas, no grande cemitério dos vivos: a prisão. Loucos restauradores em esperança ainda, só eu e meu fiel parceiro maquinando pelo escuro da ala; queríamos sempre sair dali, viver. Só a solidão escura nos acompanhava. Comíamos um naco de intenso vazio. A voz lhe soltou de vez um pedido, meu parceiro me falava. No tino extremo do abandono eu não lhe escutei; entre nós um já quase nada de todo impedia. Salvo pelo sensor registrei comigo o barulho e o guardei.

Nos arquivos de mim passei a soletrar, o de como fazer aquilo. Sabia também, que por toda a carceragem bandida o único habilitado era eu; e o cofre estava trancado. Restava-me então abri-lo. Comecei a rascunhar por dentro, mas tudo me embaralhava mais. As engrenagens do ponto, do segredo, não obedeciam à minha mão, por mais que ela trabalhasse criminosa. Dia e noite a tentar prosperar. Eu e meu grande parceiro cúmplices, no encontro, ao trabalho. Periculosidade é nunca jamais esquecer, e lutar.

Numa, começou a se mexer, a sinais das fechaduras do cofre ao movimento. Alegrei-me tanto, que no ainda ilegível mostrei o de como saía ao derredor, mas ninguém entendia nada. A Pedra de Roseta não estava transposta, decifrada, mas já se encontrava à mão. O risco da abertura, do encontro do início bem escrito, certeiro, já se maquinava por dentro. A porta do dizer se abriria.

Elas saindo de casa a escrita me chegou. Antes, no anterior do dia da festa a preparação: o que vestir bonita e levar. Um olhar me espera. Tudo pronto, a rua e o andar; os sinais dos olhares em leitura: eu sou o que todos veem que sou. A comunhão com as outras pelos caminhos ou pontos de esperas. Uma grande fila nos aguarda para a compridarmos ainda mais; horas de conversa e demais cansaços. Vestidas, fazemos a moda daquele dia. A burocracia dos homens, nos demoram deixar entrar. E assim vou escrevendo. A vida de fora alimentando a de dentro; a alma presa em espera. Os dois lados sempre se preparam, numa busca a dois, enquanto nos durar e perpetuar a prisão. No plástico que ela me traz vem a liberdade alimentar, no altar sagrado e humano em oferta. Cada família já no seu canto de pátio. O coletivo prisioneiro em hora de visita realiza um banquete, as ofertas se dão. Duro, o sinal do fim termina com o grande ritual, o tempo das visitas acabou. Aos poucos vamos nos despedindo, até o vazio do pátio dominar por tudo. Metade de cada um sai pra liberdade, e a outra metade prisioneira ainda fica.

A primeira crônica delas se abriu e aconteceu de vez; começada pela voz súplica do meu parceiro bandido naquela ala de caixão. A mão esta só fez escrever o que já existia, do qual pouco ainda se testemunhou, a visita de cadeia.

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