Eu não conseguia abrir uma crônica. Universo de coisas a dizer, mas a mão não descobria a inicial frase da história para começar. Anos aprendizes de escritos em vão. Então por mais, qual numa caçada e morto de fome, meus tiros não abatiam a caça. Só as mãos da teimosia relutavam em nunca parar, pelos rascunhos incertos, indizíveis. Então, sem que a cabeça desse conta, os ouvidos continuavam, atentos na mira do acerto.

O mundo é uma bola só, de coisas relacionáveis. Raízes e radicais. Os olhos garimpavam por então. E deu-se no mistério do mágico, que se dissesse uma frase num aperto de gentes em elevador. A frase caçada sendo aquela ouvida a minha. E a vontade que escreve a guardou memória pelo dia, na descoberta feita. Por fim, ao chegar-me à noite e ainda cansado, pela boca desconhecida e com a frase dela, coloquei-me a escrever; a crônica travada, por outra fala saiu, e se pôs no papel da letra a dizer.

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