A Arte Carinhosa de Levar Delícias

Já aludido intensamente em outra crônica, nossa relação com as comidas prisionais sempre foi de um forçado maldoso. Com um espírito ingenuamente guerreiro, ao ver funcionários no refeitório olhando o cardápio do dia com ares de repulsa e nojo, eu os sentia um tanto frágeis ou maricas. Mas não, eles estavam certos. Maquiadas, as vasilhas chegavam com vapores de gostosos sabores; que muitas vezes nos enganavam. As péssimas qualidades vinham depois nas respostas estomacais, e no metabolismo agredido.

Mas o assunto aqui é bem outro sendo ainda comer. Ao percebermos pelas mídias e gentes do povo, preconceitos da ignorância em relação às comidas levadas aos presos pelas visitas, ponho-me numa situação de crítica e ingratas lembranças. Quiséramos nós que as visitas nem precisassem levar, ou, quando muito, um algo de diferente. Mas porém não, pois o alimento nas cadeias, em cores e invólucros de razoáveis almoços, são de um eterno insosso mais os venenos. Então, o que cada visita leva em laboriosos preparos, pratos e temperos, são formas de quebrar penitências injustas com os seus sabores. Que estes, por mais que prendam e reprimam, sempre haverão de chegar, e deliciar quem os espera.

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